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Aterros do Algarve à beira do limite

Aterros do Algarve à beira do limite

A Região do Algarve prepara-se para enfrentar um dos seus maiores desafios ambientais das próximas décadas: a saturação iminente da capacidade de gestão de resíduos urbanos. Para responder ao problema, foi formalizado na sede da Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL), em Faro, um contrato de cooperação entre a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisboa (NOVA FCT).

Presidida pela ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, a cerimónia marcou o arranque do estudo «Soluções Técnicas para o Tratamento da Fração Resto na Região do Algarve».

O trabalho será conduzido por uma equipa multidisciplinar que junta a Autoridade Nacional de Resíduos, a NOVA FCT e as Universidades do Algarve e de Aveiro, tendo como missão desenhar alternativas viáveis antes do colapso do sistema atual.

Os números refletem a urgência da intervenção. Fortemente pressionado pela atividade turística, o Algarve gera mais de 400 mil toneladas de lixo por ano. Segundo a APA, a produção per capita regional atingiu os 752 quilos em 2025 — valor que contrasta expressivamente com a média nacional de 500 quilos por habitante —, enquanto os níveis de reciclagem permanecem aquém do restante país.

Em simultâneo, os dois únicos aterros sanitários da região, situados em Loulé e Portimão, operam já acima dos 80% da sua capacidade máxima.

António Pina, presidente do Conselho Intermunicipal da AMAL, alertou para a escassez temporal de resposta, salientando que as infraestruturas existentes atingirão o limite absoluto dentro de sete anos.

O autarca sublinhou a necessidade de decisões pragmáticas baseadas na realidade do terreno, aplaudindo a abertura do Governo para planear uma transição estruturada.

Por seu turno, o presidente da APA, José Pimenta Machado, reforçou que a escolha a adotar terá impacto durante décadas.

O estudo agora lançado visa determinar as tecnologias mais adequadas para o tratamento da fração resto, apontar localizações alternativas para eventuais infraestruturas e avaliar os respetivos impactos socioeconómicos e ambientais.

A fechar a sessão, a ministra Maria da Graça Carvalho assegurou que o processo será pautado pelo rigor científico e pela minimização dos impactos para as populações locais.

Com financiamento garantido, o documento final deverá estar concluído no prazo de 11 meses, abrindo caminho às decisões políticas necessárias para assegurar a sustentabilidade ambiental da região algarvia.