PCP denuncia “desmantelamento” do SNS no Algarve
A Direcção da Organização Regional do Algarve do PCP promoveu uma tribuna pública junto ao Hospital de Faro para alertar para o que classifica como um “processo de desmantelamento” do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
A iniciativa algarvia integrou uma jornada nacional de protesto convocada sob o lema “Defender e valorizar o SNS”.
De acordo com o partido, o Algarve regista atualmente uma das maiores taxas de utentes sem médico e enfermeiro de família a nível nacional, mantendo-se a carência de centenas de profissionais em várias áreas clínicas.
O PCP aponta ainda o aumento progressivo das listas de espera para consultas, exames e intervenções cirúrgicas, a par do encerramento e concentração de valências na região.
Um dos pontos mais críticos destacados pelos comunistas prende-se com o funcionamento em regime de rotatividade dos serviços de urgência entre as unidades de Faro e Portimão. Segundo a força partidária, este cenário recorrente deixa populações a horas de distância de blocos de partos e urgências especializadas, agravando a fragilidade da articulação entre os cuidados de saúde primários e os hospitais distritais.
O PCP manifestou também forte contestação à abertura de Unidades de Saúde Familiar (USF) de modelo C e ao modelo previsto para o futuro Hospital Central do Algarve — obra que aguarda concretização há mais de duas décadas. Para a organização regional, a entrega da infraestrutura e de serviços à gestão privada representa um negócio financiado com recursos públicos, razão pela qual exigem que o futuro hospital tenha uma gestão estritamente pública.
Entre as medidas reivindicadas pela organização partidária constam a contratação imediata dos profissionais em falta, a garantia de equipas de família a todos os utentes, a dignificação remuneratória e das carreiras, o reforço orçamental dos centros de saúde e hospitais e a reversão da transferência de competências da saúde para os municípios.
O partido defende ainda o reinvestimento no Centro de Medicina e Reabilitação Física do Sul e a revogação do diploma que viabiliza a gestão privada de unidades de saúde familiar.


