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Sindicatos espanhóis e portugueses podem convocar greve ibérica pela habitação

O secretário-geral da maior central sindical espanhola, Unai Sordo, das Comisiones Obreras (CCOO), confirmou esta na quinta-feira, 22 de outubro, em Madrid, que decorrem contactos com sindicatos portugueses para tentar fazer coincidir uma greve geral em Portugal com a já convocada para 11 de novembro em Espanha.

“Efetivamente, estamos a falar com eles. São os portugueses que têm de dizer se vamos coincidir numa mobilização na Península Ibérica, que seria também histórica“, disse Sordo numa entrevista conjunta à televisão RTVE e à agência EFE.

O dirigente sindical brincou com a hipótese: “Se fizerem a greve geral em Portugal vamos chamá-la greve Saramago”, em referência ao escritor português José Saramago, que viveu e morreu em Espanha.

A greve geral pela habitação em Espanha, a 11 de novembro — véspera do arranque da campanha eleitoral das legislativas antecipadas de 29 de novembro —, é convocada pelas duas grandes centrais sindicais espanholas, CCOO e UGT, a pedido da Confederação de Sindicatos de Inquilinas.

Os sindicatos afirmam que a paralisação serve para “reivindicar salários dignos para aceder a uma casa digna”. Greves gerais pela mesma causa estão também anunciadas em França, a 5 de novembro, e em Itália, a 20 de novembro.

Alicia del Rio, porta-voz do Sindicato das Inquilinas e Inquilinos de Madrid, disse à Lusa e à RTP que o apelo da organização é para que Portugal e outros países desenvolvam “organização popular e ativismo a nível de bairro” e que, se houver uma greve geral ibérica, “chegue a todo o lado”, incluindo à população imigrante. Del Rio confirmou que o sindicato mantém contacto com grupos e associações portuguesas que defendem o direito à habitação.

Os protestos pela habitação em Espanha — que incluem um acampamento com mais de mil tendas na Porta do Sol, em Madrid, desde 26 de setembro, e mobilizações diárias nas ruas desde 23 do mesmo mês — foram o que levou o governo espanhol a convocar eleições antecipadas, depois de o parlamento ter rejeitado medidas de resposta urgente à crise habitacional. O caso de Maricarmen Abascal, mulher de 87 anos despejada a 23 de setembro, tornou-se símbolo do movimento, com manifestações de apoio registadas em países da Europa, Filipinas e América Latina.

/jec com #Lusa


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