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AVE avançou com ordens explicitas no acidente de Urda (Toledo)

AVE avançou com ordens explicitas no acidente de Urda (Toledo)

No acidente ferroviário ocorrido em Urda (Toledo), na linha de alta velocidade Madrid–Andaluzia, o comboio AVE da Renfe retomou a circulação a «velocidade normal» (em vez de avançar a velocidade reduzida) porque recebeu uma ordem direta e explícita do Centro de Controlo de Tráfego Centralizado (CRC) da Adif, em Atocha.

O Ministro dos Transportes de Espanha qualificou a instrução emitida pelo centro de controlo como uma decisão «inexplicável» e contrária a todos os procedimentos de segurança, estando a Comissão de Investigação de Acidentes Ferroviários (CIAF) e as autoridades judiciais a apurar a cadeia de decisões humanas e eventuais falhas nos sistemas de apoio à decisão do controlo de tráfego.

Os dados apurados pelas gravações das comunicações rádio e pelas declarações das autoridades espanholas detalham a sucessão dos acontecimentos apontam para que às 08h36, após paragens na linha devido a problemas técnicos de sinalização e telecomunicações, o operador do centro de controlo contactou o maquinista do AVE 2080 e deu instruções formais:«Desligue e volte a ligar o LZB. Retome a circulação ao abrigo do BSL [Bloqueio de Sinalização Lateral] com velocidade normal.»

O maquinista do AVE repetiu a instrução para validação mútua, questionando especificamente a velocidade normal e dando cumprimento à ordem recebida, acelerando o comboio até atingir entre 160 km/h e 200 km/h ao longo dos cerca de 25 km seguintes.

De acordo com o Regulamento de Circulação Ferroviária, perante falhas de sinalização ou intervenções com composições imobilizadas no troço, a retoma da marcha deveria ter sido autorizada em «marcha à vista».

Nesta modalidade em que o comboio não pode ultrapassar os 30 a 40 km/h, o maquinista tem a obrigação de conduzir a uma velocidade que lhe permita imobilizar o comboio no espaço visível à sua frente.

As comunicações revelaram ainda que o posto de comando da Adif já tinha sido alertado pela maquinista do comboio Iryo de que este se encontrava completamente retido na mesma via com problemas de reinício de sistemas.