Frusoal investe 515 mil euros em laboratório para estudar praga de quarentena nos citrinos do Algarve
A Frusoal, organização de produtores de citrinos com sede em Vila Nova de Cacela, apresentou na sexta-feira, 24 de outubro, o Laboratório Frusoal InovCitrus, dedicado à investigação sobre pragas em culturas de citrinos, num investimento de 515 mil euros.
O laboratório vai centrar-se no estudo da fenologia e do ciclo de vida dos tripes Scirtothrips aurantii, inseto originário da África do Sul classificado como praga de quarentena na União Europeia.
A espécie foi detectada pela primeira vez em Portugal em dezembro de 2022, no concelho de Tavira. Em janeiro de 2026, a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) contabilizava no Algarve 106 zonas demarcadas para esta espécie, cinco para Scirtothrips dorsalis e duas com a presença de ambas.
O inseto provoca cicatrizes na epiderme dos frutos que os podem tornar impróprios para comercialização em fresco, com prejuízos económicos que podem ultrapassar os 50% — muito acima dos habituais 20% —, afectando sobretudo lima e limão.
Ao longo dos próximos três anos, o projeto avaliará a dinâmica populacional da praga em pomares de laranja, tangerina, limão e lima no Algarve. As actividades decorrerão em pomares da Frusoal e dos seus associados e no Centro de Experimentação Agrária de Tavira.
A iniciativa é desenvolvida em colaboração com o InnovPlantProtect, entidade especializada em entomologia agrícola, com apoio do Centro de Experimentação Agrária de Tavira (CCDR Algarve) e coordenação da equipa técnica da Frusoal.
“Há três anos que a citricultura algarvia convive com uma praga sobre a qual sabemos ainda muito pouco. O InovCitrus nasce para transformar essa falta de conhecimento em decisões práticas e eficazes para os nossos produtores“, afirmou Tomás Magalhães, técnico responsável pelo projecto.
João Duarte, director financeiro da Frusoal, acrescentou que a ambição é “afirmar o Frusoal InovCitrus como referência de conhecimento para a agricultura algarvia e a citricultura nacional”. Além do combate a pragas e doenças, o laboratório tem como objectivos futuros encontrar novos aproveitamentos para subprodutos e estudar métodos de cultivo mais sustentáveis.


