São Brás de Alportel no primeiro ano de mandato com foco na saúde, habitação e fundos comunitários
O Executivo Municipal de São Brás de Alportel apresentou esta semana o balanço do seu primeiro ano de mandato, assinalando as principais realizações, projetos em curso e desafios estruturais do concelho.
Numa conferência de imprensa realizada na recentemente requalificada Praça 1914, a presidente da autarquia, Marlene Guerreiro, acompanhada pela sua equipa a tempo inteiro, destacou um ano pautado por “muito trabalho e planeamento” com o foco central na melhoria da qualidade de vida dos são-brasenses.”
Perante um orçamento municipal que ultrapassou os 30 milhões de euros, a autarca alertou para o peso reduzido das transferências do Estado, que representam apenas 20% das receitas municipais.
“É preciso pesar as prioridades todos os dias“, frisou Marlene Guerreiro, sublinhando que a escassez de recursos exige uma gestão rigorosa e criativa para responder aos eixos prioritários definidos: saúde, habitação, educação, segurança, solidariedade e dinamização económica.
No setor da saúde, o município alcançou a conclusão da nova Unidade de Saúde Familiar (USF) da Villa, um investimento de 2,825 milhões de euros (financiado em 2,217 milhões pelo PRR). O edifício de 14 gabinetes aguarda a instalação de equipamentos, cuja aquisição foi garantida mediante uma candidatura conjunta com a ULS Algarve ao Programa Regional Algarve 2030.
A autarquia reivindica ainda a introdução de novas especialidades no atual Centro de Saúde — como cardiologia e psiquiatria —, maior autonomia para o Centro de Medicina de Reabilitação do Sul e a criação de uma residência para acolher e fixar profissionais de saúde no concelho.
A resposta à crise habitacional constitui outra bandeira do mandato. Marlene Guerreiro anunciou a preparação daquele que considera «o maior investimento de sempre nesta área»: um projeto de 4 milhões de euros submetido ao Algarve 2030 para erguer um edifício com 15 fogos e moradias, viabilizado através do recurso a um empréstimo municipal.
Já no setor educativo, além de apoios diretos como o Vale + Natalidade e bolsas escolares, foi lançado o concurso para a ampliação do Jardim de Infância Joaninhas, obra orçada em mais de 2 milhões de euros.
A vereadora Mónica Inácio enfatizou a requalificação do espaço público e das infraestruturas básicas. Entre as intervenções destacam-se as acessibilidades no centro urbano e a modernização contínua das redes de água e saneamento, com obras em curso na Mesquita e intervenções previstas para Machados e Campina.
Por sua vez, o vice-presidente Pedro Ornelas salientou a sustentabilidade financeira da autarquia, que opera confortavelmente abaixo do limite legal de endividamento e estima captar até 20 milhões de euros até ao final do ciclo do Algarve 2030.
A revisão do Plano Diretor Municipal (PDM) encerrou o balanço como um dos desafios mais exigentes para o executivo. Marlene Guerreiro apontou o dedo à burocracia excessiva e a uma legislação de ordenamento “castradora da habitação e do tecido empresarial”, envolvendo pareceres de 26 entidades.
A presidente defendeu uma reforma profunda nacionalmente que desbloqueie o crescimento territorial harmonioso e confira mais flexibilidade aos municípios.


