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Nenúfar-mexicano ameaça troço internacional do Guadiana com “manto verde” em Badajoz

Nenúfar-mexicano ameaça troço internacional do Guadiana com “manto verde” em Badajoz

Nenúfar-mexicano ameaça troço internacional do Guadiana com “manto verde” em Badajoz

A proliferação descontrolada do nenúfar-mexicano (Nymphaea mexicana) transformou o rio Guadiana, à passagem pela cidade raiana de Badajoz, num vasto manto vegetal. A praga aquática, que já cobre integralmente o leito urbano e se estende até às imediações da fronteira portuguesa, gerou um alerta ambiental transfronteiriço.

Origem e Mecanismo de Invasão

Nativa do sul dos Estados Unidos e do norte do México, a Nymphaea mexicana chegou à Península Ibérica sobretudo para fins ornamentais em lagos e aquários.

  • Chegada à bacia: Os primeiros focos no rio Guadiana foram referenciados na década de 1980, mas foi a partir de 2008–2009 que a infestação explodiu na zona de Badajoz.
  • Resiliência: Ao contrário do jacinto-de-água (camalote), que flutua livremente, o nenúfar-mexicano cria rizomas e estolhos que enraízam profundamente nas espessas camadas de lodo. Cortar a parte visível não resolve o problema, pois a planta rebrota com rapidez.
  • Condições favoráveis: Águas lentas, assoreamento urbano, altas temperaturas e o excesso de nutrientes agrícolas e urbanos criaram o habitat ideal para a proliferação.

Impactos Ambientais e Económicos

A cobertura contínua de folhas bloqueia a penetração da luz solar, impedindo a fotossíntese da flora aquática submersa e provocando quebras drásticas nos níveis de oxigénio dissolvido. A biodiversidade piscícola e os macroinvertebrados colapsam nas zonas mais densas. Em paralelo, as raízes e a biomassa acumulada colmatam canais, dificultam a rega agrícola e inviabilizam por completo a navegação recreativa e a pesca desportiva.

Plano de Intervenção Milionário

Para travar o avanço em direção ao Alqueva e a território português, as autoridades espanholas através da Confederación Hidrográfica del Guadiana (CHG) avançaram com um plano orçado em cerca de 33 milhões de euros. A estratégia exige mais do que a simples remoção à superfície: prevê a dragagem e extração de mais de 600 mil metros cúbicos de lodos contaminados onde os rizomas se encontram fixados.

visto em Diario de Notícias, investigado por F. Pesquisa

foto Canal Extremadura