Moradores exigem suspensão de construção de hotéis na Meia Praia até avaliação ambiental independente
Cerca de 50 pessoas manifestaram-se esta quarta-feira em frente à Câmara de Lagos para exigir a paragem da construção de dois hotéis e um bloco de apartamentos turísticos na Meia Praia, enquanto os impactos ambientais do projeto não forem avaliados de forma independente.
O projeto prevê a edificação de três unidades turísticas — incluindo um hotel de cinco estrelas — numa área de cerca de 11 mil metros quadrados. O alvará de construção foi emitido em 1988 e revisto em 2008, altura em que a área de construção foi reduzida no âmbito do Plano Urbanístico da Meia Praia.
Ecossistema em risco, dizem manifestantes
O movimento cívico “Salvar a Meia Praia”, composto maioritariamente por cidadãos estrangeiros residentes na zona, alerta para a existência de uma bacia lagunar no local que considera um ecossistema frágil e insubstituível. “Quando estes ecossistemas desaparecerem, nenhuma quantia monetária poderá recuperá-los“, afirmou Graça Bastos, membro do movimento.
Os manifestantes defendem que a área deveria ser destinada a espaços verdes para uso da população, e não a um empreendimento turístico desta dimensão.
Câmara diz que não pode travar projeto se a lei for cumprida
Na reunião de câmara que se seguiu ao protesto, o presidente Hugo Pereira admitiu não ser favorável à construção na primeira linha de costa, mas reconheceu que o município não tem poder legal para bloquear o projeto caso o promotor cumpra todos os requisitos exigidos.
O autarca esclareceu, no entanto, que a aprovação final da obra está ainda condicionada à requalificação da bacia lagunar por parte do promotor, o que representa uma salvaguarda ambiental obrigatória antes de qualquer avanço da construção.
O movimento insiste na suspensão do projeto e numa nova avaliação ambiental antes de qualquer decisão definitiva sobre o licenciamento.
com Lusa