Loulé não aprova nova incineração de resíduos e exige esclarecimentos urgentes
O Município de Loulé manifestou formalmente ao Governo a sua oposição liminar à instalação de novas capacidades de incineração de resíduos urbanos no concelho ou ao reforço da coincineração na fábrica da CIMPOR.
A posição foi transmitida pelo presidente da autarquia, Telmo Pinto, à ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, acompanhada de um pedido de reunião com caráter de urgência.
O município recusa continuar a assumir encargos ambientais desproporcionais face ao resto do Algarve.
A autarquia defende que a atual licença ambiental da CIMPOR não pode servir de base a futuras expansões para o tratamento de resíduos de outros concelhos, alertando para os riscos associados ao aumento de emissões atmosféricas, tráfego de pesados, ruído, consumo de água e saúde pública. Para o executivo local, a prioridade da região deve assentar na redução, valorização de biorresíduos e reciclagem, em detrimento da queima de lixo.
Paralelamente, Loulé exige uma auditoria externa e independente ao Aterro Sanitário do Sotavento Algarvio, situado em Salir, que recebe resíduos de grande parte da região há mais de 20 anos.
O município recorda o histórico de problemas de lixiviados, odores e estabilidade geotécnica, reclamando um calendário rigoroso para travar as sucessivas ampliações e encontrar alternativas estruturais de âmbito regional.
No que concerne à Estação de Dessalinização de Água do Mar, em construção em Albufeira, a autarquia esclarece que não contesta a necessidade da obra contra a seca, mas exige garantias de proteção para a faixa costeira de Quarteira e Vilamoura.
O município já requereu à Agência Portuguesa do Ambiente acesso a estudos sobre a dispersão da salmoura e dinâmicas de sedimentos para salvaguardar as praias, a pesca e o ecossistema marinho.
Sublinhando que o motor económico e turístico do concelho depende diretamente da preservação ambiental, Telmo Pinto reafirmou a disponibilidade para colaborar em soluções regionais integradas, desde que seja respeitado o princípio da equidade territorial e travada a sobrecarga ambiental no território de Loulé.



