Ligação Tejo-Alqueva avança para estudo: CCDR Alentejo e EDIA preparam candidatura a financiamento
A CCDR Alentejo e a EDIA estão a preparar uma candidatura ao Programa Regional para financiar um estudo sobre a viabilidade de transferir água do Tejo para o sistema do Guadiana, reforçando a albufeira de Alqueva.
As duas entidades reuniram-se a 8 de setembro, depois de o presidente da CCDR, Ricardo Pinheiro, ter anunciado a intenção de avançar com essa candidatura.
Entre os cenários em análise está uma transferência próxima dos 150 hectómetros cúbicos de água para o sistema do Guadiana, volume que poderia permitir aumentar em mais de 50 mil hectares a área de regadio associada a Alqueva.
Estes valores são, nesta fase, hipóteses de trabalho e não correspondem a qualquer decisão de execução.
O estudo previsto vai além das questões de engenharia — canais, estações elevatórias e condutas. A CCDR quer avaliar o impacto económico de uma infraestrutura desta dimensão nas diferentes zonas do Alentejo e de que forma uma maior disponibilidade de água alteraria a capacidade produtiva do território.
O debate não é novo. A estratégia nacional “Água que Une” já previa estudar a viabilidade da ligação Tejo-Guadiana através da adução Nisa-Caia, num horizonte entre 2030 e 2043.
Em fevereiro deste ano, o Governo anunciou ainda a possibilidade de disponibilizar até mais 100 hectómetros cúbicos para a agricultura a partir de Alqueva, justificando a medida com o crescimento das necessidades agrícolas, de abastecimento público e industriais.
A albufeira tem uma capacidade total próxima dos 4.150 hectómetros cúbicos, segundo a Comissão Nacional Portuguesa das Grandes Barragens.
Não há transvase aprovado, obra decidida nem data para iniciar qualquer transferência entre as duas bacias. O que muda agora é que a CCDR Alentejo e a EDIA procuram financiamento para colocar números, soluções técnicas e impactos económicos em cima da mesa.