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Etóloga galesa estuda manada de cavalos em liberdade numa quinta da Extremadura espanhola há 14 anos

Etóloga galesa estuda manada de cavalos em liberdade numa quinta da Extremadura espanhola há 14 anos

Lucy Rees, etóloga galesa de 82 anos, mantém há 14 anos um projecto de renaturalização numa propriedade de mil hectares no norte de Cáceres, na Extremadura espanhola, onde uma manada de cavalos da raça pottoka vive em liberdade total, sem doma, sem montadas e sem intervenção humana.

A investigadora, que trabalhou durante anos com cavalos de competição de elite, defende que a doma tradicional é “uma forma de escravatura baseada na dor”. A observação dos animais na Extremadura levou-a a concluir que a estrutura social dos cavalos não assenta numa hierarquia de dominância, mas numa organização colectiva sem líderes, onde cada indivíduo coopera perante o perigo real.

Rees afirma que o estado de saúde dos animais é “impressionante” e que nunca necessitaram de tratamentos veterinários. O projecto atrai visitantes de países como a Argentina e a Alemanha, e tem gerado reconhecimento internacional no campo da etologia equina.

A investigadora considera que tocar, alimentar ou montar os cavalos “apenas satisfaz o ego humano” e que a verdadeira admiração é a que não procura possuir. Pessoas com décadas de experiência equestre que visitam a quinta admitem, segundo Rees, que “não sabiam nada” sobre o comportamento real destes animais.

O projecto é apresentado pela investigadora como um modelo para repensar a pecuária, a conservação e a ética animal, assente na observação e no respeito em vez do controlo.

Foto gerada por IA