Espectáculo sobre mudança de casa regressa a Vila Real de Santo António em março com novo projeto em preparação para agosto
A companhia Segundo Acto prevê regressar a Vila Real de Santo António em março com o espectáculo em curso, centrado na personagem Maria, e em agosto com uma produção nova criada especificamente para o território.
O anúncio foi feito pelo encenador e criador da peça, João Frizza, natural de Vila Real de Santo António, que integra também em 2025 a tournée nacional da comédia O Amor é Assim, protagonizada pelo actor João Baião.
O espectáculo actual parte da personagem Maria, inspirada em mulheres vira-realenses, e usa como mote a mudança de casa — tema ligado às recentes requalificações de bairros na cidade — para explorar memórias, conflitos familiares e a ideia de que a família subsiste independentemente das circunstâncias materiais.
O criador explica que o intuito é fazer rir, mas com uma mensagem sobre os laços familiares: “O que importa, no meio disto tudo, é que a nossa casa é onde a nossa família existe e é onde a nossa família funciona, com todos os defeitos que possa ter.“
O Segundo Acto começou como grupo de teatro amador em Vila Real de Santo António e tornou-se produtora profissional com espectáculos em todo o país.
O criador sublinha que a especificidade regional — o sotaque, os costumes, as formas de reagir — tem atraído cada vez mais público de fora, incluindo turistas, mas defende que as peças devem continuar a ser feitas e apresentadas localmente: “Faz sentido que esta descentralização exista e que exista um produto que é especificamente feito para aqui.”
A tournée de O Amor é Assim terá a duração aproximada de dois anos e percorrerá o país inteiro. O projecto é descrito como um novo desafio na carreira do criador, que divide a actividade entre Lisboa e o Algarve.
Dirigindo-se a jovens da região que queiram seguir a área da cultura, o encenador admite sem rodeios que é necessário sair: “A formação acontece mais longe daqui, a oportunidade de trabalhar na cultura está sobretudo em Lisboa, ou fora do país.” Acrescenta, porém, que a bagagem adquirida em Vila Real de Santo António é determinante e que regressar é igualmente importante.