artigos
Início
Ayamonte

Deixar a concha na areia é gesto que protege a vida marinha

Deixar a concha na areia é gesto que protege a vida marinha

Todos os verões, milhares de turistas enchem as praias do Algarve. Entre mergulhos e banhos de sol, muitos não resistem: apanham uma concha branquinha como recordação. Parece inofensivo. Mas quando milhões fazem o mesmo, a praia fica mais pobre — e o mar também.

E em zonas como Vila Real de Santo António, com o Parque Natural da Ria Formosa mesmo ao lado, o impacto sente-se ainda mais.

A concha não é “lixo”. É casa, armadura e matéria-prima
Aquilo que parece só uma decoração na areia tem várias funções no ecossistema:

Como abrigo são usadas pelo caranguejo-eremita. Sem conchas vazias, não cresce nem se protege de predadores. Muitos morrem ou usam lixo plástico.

Como material de ninho são usadas por aves como o aves como o borrelho-de-coleira que utiliza fragmentos de concha para ajudar a camuflar ovos na areia.

Sãi fonte de cálcio para microalgas, bivalves jovens, porque as conchas dissolvem-se lentamente e devolvem carbonato de cálcio ao mar, essencial para novos organismos formarem as suas carapaças.

Contribuem na própria praia para a estabilização da areia própria prai a estabilização da areia. As conchas partidas funcionam como “cimento natural”. Sem elas, o vento e as ondas levam mais areia, acelerando a erosão.

Um estudo da Universidade de Barcelona mostrou que praias muito frequentadas perderam até 60% das conchas em 30 anos. Nas zonas onde isso aconteceu, a população de caranguejos-eremitas caiu para metade.

Invocamos que “é só uma concha…”, mas há o problema da escala, uma ves que, em Portugal, estima-se que cada turista leve, em média, duas a três conchas. O Algarve recebe mais de cinco milhões de visitantes por ano. É só fazer as contas, embora nem toda a gente ande a levar conchas para casa.

Retirar conchas também é ilegal em muitas áreas protegidas. Na Ria Formosa, o regulamento do Parque Natural proíbe a “colheita de elementos geológicos e biológicos”, com coimas que começam nos 250€. A regra existe porque a ria é berçário de centenas de espécies.

Quando as conchas acabam numa praia, dá-se um chamado efeito dominó: menos conchas significa menos caranguejos-eremitas, maior quantidade de algas não consumidas e desequilíbrio no fundo marinho.

As praias ficam mais mais frágeis: Sem os fragmentos a segurar os grãos, a linha de costa recua mais depressa. Isso custa milhões em obras de proteção costeira.

O turismo tende a ter menos vida, popis que a biodiversidade é parte da experiência. As praias sem vida marinha visível tornam-se apenas areia e água.

Conselhos para levar recordações sem prejudicar. Em primeiro lugar fotografe. Â luz do Algarve as conchas proporcionam fotos incríveis e uma memória que não pesa na mala nem no ecossistema.

Pode matar a curiosidade observando, devolvendo e aproveitando para mostrar às crianças e explicar a devolvendo depois perto da linha da maré.

Da próxima vez que a tentação aparecer, lembre-se: a melhor recordação é voltar e encontrar a praia tão rica como estava. E isso só acontece se cada concha ficar onde pertence.

O Centro de Educação Ambiental de Marim, na Ria Formosa, tem atividades sobre a importância das conchas. Entrada livre. Leva-se conhecimento, não se leva nada da natureza.

conchas de praia

Com Amigos de la Antilla e Investigação Meta