Associação de imprensa alerta: inteligência artificial não substitui proximidade dos jornais às comunidades
A Associação Portuguesa de Imprensa (API) defende que a inteligência artificial pode ajudar as redações a trabalhar melhor, mas não resolve os problemas do jornalismo se não houver empresas de media financeiramente sustentáveis e capazes de manter a confiança dos leitores.
A posição foi apresentada após as Jornadas Técnicas da Imprensa Regional 2026, que reuniram jornalistas, editores, académicos e especialistas em três cidades — Fundão, Lisboa e Vila Real — para debater o futuro do setor face à crescente utilização de ferramentas de inteligência artificial.
Algoritmos não conhecem os leitores, os jornais locais conhecem
A presidente da API, Cláudia Maia, sublinhou que a tecnologia não consegue replicar aquilo que distingue os órgãos de comunicação regional e local: o conhecimento profundo das suas comunidades. “Têm de ser os meios nacionais, regionais e locais que têm essa capacidade. Conhecem o seu leitor melhor que ninguém e sabem dar ao seu leitor aquilo que ele precisa”, afirmou.
Nas jornadas debateram-se os riscos e as oportunidades da inteligência artificial nas redações, o funcionamento dos algoritmos que determinam quais as notícias que chegam aos leitores, e os direitos de autor dos conteúdos jornalísticos utilizados para treinar sistemas de inteligência artificial.
Problemas da imprensa regional são agora de todo o setor
Uma das principais conclusões é que os desafios antes associados sobretudo à imprensa regional — falta de financiamento, dificuldade em atrair talento, dependência de publicidade — afectam hoje órgãos de comunicação de todas as dimensões. A API defende que a resposta tem de ser conjunta, envolvendo empresas de media, universidades, entidades tecnológicas e decisores políticos.
A associação apela ainda a políticas públicas que garantam a viabilidade económica das empresas jornalísticas e valorizem os conteúdos produzidos, argumentando que sem meios de comunicação sustentáveis será impossível responder aos desafios tecnológicos que estão a transformar o setor.