Almanaque da Aldeia reúne moradores de Santa Rita em torno da abóbora no CIIPC
O Centro de Interpretação e Investigação do Património Cultural (CIIPC), na aldeia de Santa Rita, em Vila Nova de Cacela, acolheu a 20 de outubro mais uma sessão do Almanaque da Aldeia, desta vez centrada nos usos, saberes e sabores da abóbora.
Moradores de Santa Rita e de outras localidades da freguesia trouxeram abóboras e cozidos, partilhando receitas, técnicas de cultivo e memórias à volta da mesa.
O encontro começou com queijo fresco feito nessa manhã com leite de cabras da aldeia, acompanhado de doce de abóbora preparado no CIIPC.
Seguiu-se um cozido com abóbora, feijão, batata-doce, couve e toucinho, ao qual se juntaram os cozidos trazidos pelos participantes. As receitas recolhidas — cada uma com variações e segredos pessoais — foram contadas pelas mulheres presentes. Para terminar, serviram-se filhoses, bolo e broinhas de abóbora com noz.
A sessão recuperou também o saber popular em torno do cultivo: variedades tradicionais como a abóbora-menina, o frade, a manteiga e a casca de pau, a época de sementeira no final do inverno e os ensinamentos ligados às fases da lua — “Abóbora semeada na Lua Cheia dá abóbora e meia” é um dos ditados que os participantes mantêm vivos.
No Algarve, a abóbora integra cozidos, sopas, filhoses e doces. As flores são comestíveis, embora o costume não esteja muito enraizado na região, e as sementes — ricas em magnésio — aproveitam-se cruas ou torradas. Colhida com maturação completa, a abóbora conserva-se durante os meses de Inverno, funcionando como reserva alimentar.
O próximo Almanaque da Aldeia está marcado para 17 de novembro e terá como tema a batata-doce.



