Alerta sanitária no sul de Espanha: Andaluzia atinge 63 casos de vírus do Nilo e coloca Huelva sob vigilância reforçada
SEVILHA — O avanço do vírus do Nilo Ocidental (VNO) levou as autoridades sanitárias da Andaluzia a declarar a cidade de Huelva como área em alerta máximo, após a deteção de mosquitos infetados em armadilhas a menos de 1,5 quilómetros do perímetro urbano. Com a confirmação de um novo infetado em Gibraleón, o número total de contágios humanos diagnosticados na comunidade autónoma ascende agora a 63.
De acordo com o balanço divulgado pela Consejería de Presidencia, Sanidad y Emergencias da Junta de Andaluzia, dos 63 casos notificados até ao momento nesta época epidemiológica, 38 evoluíram de forma leve e 25 desenvolveram formas neuroinvasivas mais graves. A província de Huelva conta atualmente com oito municípios sob vigilância apertada, integrando uma lista alargada de mais de três dezenas de zonas em alerta em toda a Andaluzia — que inclui localidades nas províncias de Sevilha, Cádis, Córdova e Málaga.
A declaração de alerta implica o reforço imediato das ações de desinfestação e controlo de vetores por parte dos municípios afetados, assim como a intensificação da monitorização entomológica. As autoridades de saúde pública reiteram à população a necessidade de adotar medidas preventivas, designadamente o uso de repelentes adequados, a colocação de redes mosquiteiras e a eliminação de qualquer ponto de água estagnada em recipientes domésticos (vasos, baldes, bebedouros ou piscinas não tratadas), que servem de viveiro às larvas dos mosquitos.
Nota de rodapé: Características do vírus do Nilo Ocidental (VNO)
- Classificação e transmissão: É um arbovírus pertencente ao género Flavivirus (família Flaviviridae). Circula na natureza através de um ciclo enzoótico entre aves (hospedeiros amplificadores naturais) e mosquitos, sobretudo do género Culex. O ser humano e os equídeos são hospedeiros acidentais e terminais (não transmitem o vírus de volta ao mosquito).
- Quadro clínico: Cerca de 80% das infeções humanas são assintomáticas. Aproximadamente 20% dos infetados desenvolvem a chamada febre do Nilo Ocidental (febre súbita, cefaleias, fadiga, mialgias, náuseas e erupções cutâneas). Em menos de 1% dos casos — com maior incidência em idosos e doentes imunodeprimidos —, o agente infecioso atinge o sistema nervoso central, originando doença neuroinvasiva sob a forma de meningite asséptica, encefalite ou paralisia flácida aguda.
- Diagnóstico e tratamento: A deteção laboratorial baseia-se na serologia (pesquisa de anticorpos IgM/IgG no soro ou líquido cefalorraquidiano) e na identificação de ARN viral por RT-PCR. Não existe antiviral específico nem vacina aprovada para uso humano, assentando a abordagem médica em terapêutica de suporte e na prevenção contra as picadas de mosquito.
Com F. Pesquisa e fonte Correio da Andaluzia.