Os festejos de Natal e Ano Novo 2025/2026 foram marcados por um aumento dramático na sinistralidade fatal nas estradas portuguesas.
Os dados divulgados pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), GNR e PSP revelam que, apesar de uma redução no número total de acidentes, o saldo de vítimas mortais disparou, sinalizando a intensidade e gravidade dos sinistros ocorridos.
Durante o período global da Operação (18 de dezembro de 2025 a 4 de janeiro de 2026), registaram-se 38 vítimas mortais, um aumento de 31% face ao período homólogo anterior.
Esta tragédia ocorreu em 6083 acidentes, menos 4,4% do que no ano anterior. Esta estatística sublinha uma tendência preocupante: os acidentes que acontecem são significativamente mais graves e letais.
No que diz respeito apenas ao Ano Novo (27 de dezembro a 4 de janeiro), o aumento foi ainda mais acentuado: 26 mortes em apenas nove dias, representando um crescimento de 86% de vítimas mortais face ao período de 2024/2025.
A análise das causas aponta para comportamentos de risco recorrentes. Os despistes continuam a ser o flagelo principal, responsáveis por 53% das vítimas mortais no período festivo.
Seguem-se as colisões (26%) e os atropelamentos (21%). A conjugação de excesso de velocidade, desatenção e cansaço em viagens de maior duração revela-se fatal.
As 38 vidas perdidas tinham idades entre os 20 e os 88 anos. A esmagadora maioria das vítimas (32) era do sexo masculino. A distribuição geográfica das mortes mostra concentrações críticas nos distritos de Lisboa (7), Aveiro (7), Braga (5) e Porto (4). As estatísticas reforçam que a prudência é a única ferramenta eficaz na prevenção destes desfechos trágicos.
Em resposta à elevada sinistralidade, as Forças de Segurança intensificaram a fiscalização rodoviária, numa escala impressionante. No total das operações de Natal e Ano Novo, foram controlados cerca de 13,8 milhões de veículos, recorrendo massivamente aos sistemas de radar (SINCRO).
Deste esforço resultaram 52.114 infrações. Cerca de 60% destas contraordenações dizem respeito, precisamente, ao excesso de velocidade, confirmando que este é o principal motor de risco nas estradas nacionais. Outras infrações relevantes incluíram a ausência de inspeção periódica obrigatória (6,7%) e a utilização indevida do telemóvel ao volante.
A vertente criminal também revela a persistência de condutas de alto risco. Foram registados 1749 crimes rodoviários, sendo a condução com taxa de álcool igual ou superior a 1,2 g/l (1102 casos) e a condução sem habilitação legal (502 casos) as categorias mais proeminentes. Estes números frios expõem a irresponsabilidade que ceifa vidas todos os anos.
Paralelamente, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) manteve um dispositivo especial de prontidão, com o pré-posicionamento de 867 bombeiros e 256 veículos diariamente em 142 locais estratégicos de maior sinistralidade, garantindo a resposta rápida às emergências que infelizmente se materializaram.
O balanço final das autoridades é claro: a tecnologia de fiscalização pode detetar infrações, mas a mudança só será sustentável se for impulsionada pela responsabilidade individual de cada condutor.

