O “Cérebro” Tecnológico que Vigia a Bacia do Guadiana em Espanha

Bacia Hidrógráfica do Rio Guadiana - Espanha

Que é a Sira Guadiana

Por trás da gestão da água na vizinha Espanha, existe um sistema invisível de sensores e dados que trabalha 24 horas por dia. Conheça o SIRA, a rede integrada que antecipa cheias, combate a poluição e garante que cada gota do Guadiana é aproveitada com precisão cirúrgica.

O Rio Guadiana não é apenas uma linha no mapa ou uma fronteira natural; é um organismo vivo que pulsa de acordo com o ritmo das estações e as variações do clima.

Gerir uma bacia hidrográfica desta importância exige mais do que a simples observação ocular das margens. Atualmente, o comando das operações cabe ao SIRA, uma sigla que esconde uma complexa Rede Integrada de monitorização.

Este sistema funciona como o sistema nervoso central do rio, integrando sub-redes especializadas que vigiam desde os caudais e as barragens até à qualidade química da água e o estado de saúde dos aquíferos subterrâneos.

A magia desta gestão acontece através de um fluxo de informação perfeitamente orquestrado, que começa muito antes de a água chegar às nossas torneiras ou aos campos de cultivo.

Tudo tem início no leito do rio e nas suas infraestruturas, onde uma vasta rede de sensores capta dados em tempo real sobre o estado do meio hídrico, incluindo o comportamento das águas superficiais e até das águas residuais tratadas.

Estes dados, transformados em sinais digitais, viajam instantaneamente para um centro de controlo onde são processados e analisados.

É este processamento que permite aos especialistas avaliar o estado do rio em cada minuto, apresentando relatórios detalhados que ajudam os responsáveis a desenhar as melhores estratégias de prevenção e atuação, otimizando o processo de tomada de decisão perante qualquer cenário.

Esta infraestrutura tecnológica foca-se em dois pilares fundamentais que afetam diretamente a vida das populações: a segurança e a eficiência. Por um lado, o SIRA é a ferramenta essencial para a previsão e atuação em caso de cheias, permitindo conhecer antecipadamente a evolução dos níveis e caudais.

Com esta informação, a Proteção Civil pode ser avisada com a antecedência necessária para minimizar danos e proteger vidas. Por outro lado, o sistema garante uma vigilância rigorosa da qualidade da água, detetando prontamente parâmetros anómalos que possam indicar descargas poluentes não autorizadas, protegendo assim o ecossistema e a saúde pública.

Mas o impacto do SIRA vai muito além da gestão de crises. No dia a dia, esta rede permite uma gestão inteligente das reservas de água.

Ao controlar ao pormenor a operação de barragens, canais e conduções, é possível garantir que a água disponível é distribuída da forma mais eficaz possível pelos seus diversos usos — seja para o abastecimento doméstico, para o regadio agrícola, para a produção de energia hidroelétrica ou para a manutenção dos caudais ecológicos mínimos que o ambiente exige.

Além disso, ao manter um arquivo histórico de dados fiáveis e continuados, o SIRA não está apenas a resolver os problemas de hoje; está a construir o conhecimento necessário para que as futuras gerações saibam como cuidar de um dos recursos mais preciosos da Península Ibérica.


Para quem quer ir mais fundo: O “Dicionário” do SIRA

Se ficou curioso sobre a tecnologia por trás desta vigilância, o SIRA é, na verdade, a união de quatro redes especializadas que funcionam em conjunto:

  • SAIH (Sistema Automático de Informação Hidrológica): É o braço direito da segurança. Mede níveis de rios e albufeiras em tempo real para prever cheias e gerir a abertura de comportas.
  • SAICA (Sistema Automático de Informação de Qualidade das Águas): Funciona como um laboratório permanente. Analisa a composição química da água para detetar poluição de forma imediata.
  • ROEA (Rede Oficial de Estações de Calibração/Aforo): Foca-se na quantidade. É a rede que mede com precisão o volume de água que passa num determinado ponto (caudal).
  • PIEZO (Rede de Piezometria): O olhar subterrâneo. Mede os níveis dos aquíferos (reservas de água debaixo do solo) para garantir que não estão a ser sobre-explorados.

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