Vila Real de Santo António deu ontem o passo inicial para aquela que é considerada a «maior operação de reabilitação habitacional da sua história», assim a define a câmara municipal.
Um investimento superior a 50 milhões de euros tem por objetivo a requalificação integral de todos os bairros de habitação social do concelho, abrangendo um total de 372 fogos.
As obras arrancaram oficialmente ontem, quinta-feira, assinalando o início da fase de execução do Programa de Requalificação dos Bairros de Habitação Social. O Bairro da Manta Rota foi o primeiro a entrar em obra, servindo como modelo de intervenção para os restantes bairros.
Com a fase de montagem de estaleiros já concluída, o município entra agora em «velocidade de cruzeiro». Embora a Manta Rota lidere o processo, está previsto que, nos próximos dias, todos os bairros abrangidos avancem para obra, concretizando a estratégia de revitalização urbana e social.
O modelo de intervenção na Manta Rota, que será replicado no concelho, visa minimizar o impacto nas famílias. Os moradores do primeiro bloco de habitações (organizado em nove frações) foram temporariamente realojados em mobile homes. Esta solução é a que permite aos moradoresd permanecer no seu bairro, mantendo a proximidade à sua rede de vizinhança e quotidiano.
A entrega das chaves destas estruturas temporárias foi acompanhada pela vice-presidente da Câmara Municipal, Patrícia Jerónimo. A empreitada no primeiro bloco tem uma duração estimada de cerca de três meses. Após a conclusão, os moradores podem regressar às suas casas renovadas, libertando as estruturas temporárias para acolher as famílias do segundo bloco.
A requalificação será profunda e estrutural, afirma a autarquia, e as intervenções incidirão sobre o reforço estrutural dos edifícios, a melhoria significativa da envolvente térmica e acústica, isolamentos e impermeabilizações de coberturas, bem como a substituição integral das redes de água, eletricidade, telecomunicações e saneamento.
O objetivo é assegurar uma melhoria mínima de 10% no desempenho térmico das frações, garantindo maior conforto, segurança e eficiência energética às famílias.
Este ambicioso programa é financiado a 100% por fundos comunitários, nomeadamente através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e do Programa 1.º Direito.
O investimento é o resultado direto do trabalho desenvolvido pelo Município no âmbito da Estratégia Local de Habitação, que permitiu o planeamento rigoroso e a angariação dos mecanismos financeiros necessários para uma intervenção desta dimensão.
Para o presidente da Câmara Municipal de VRSA, Álvaro Araújo, o arranque das obras simboliza uma «transformação histórica no concelho». O autarca sublinha que este é «o maior programa de requalificação de habitação social de sempre, com financiamento integral do PRR», e demonstra que o município está preparado para colocar «as pessoas no centro das prioridades».
Com a entrada progressiva de todos os bairros em obra, VRSA reafirma o seu compromisso com a justiça social e a melhoria efetiva das condições de vida de centenas de famílias. O investimento global ascende a 50.274.304,71 euros, distribuídos pelos vários bairros do concelho da seguinte forma:
O Bairro Santo António, com 143 fogos, receberá a maior fatia do investimento, no valor de 20.168.555,03 €, seguido pelo Bairro da Barquinha (73 fogos) com 8.908.604,85 €.
Os restantes valores distribuem-se pelos bairros Caminhos de Ferro, dos Navegantes, do Encalhe, da Caixa de Previdência, Manta Rota, e fogos dispersos pelo concelho.
A autarquia esdpera que toda a obra esteja concluída no final do mês de Agosto do ano em curso.

