Descargas Controladas no Algarve: Barragens do Funcho e Beliche Aliviam Pressão Hídrica Após Cheias

Descargas em barragens

A grave situação de seca que assolava o Algarve inverteu-se drasticamente. As intensas chuvas recentes elevaram os níveis de armazenamento das albufeiras a patamares historicamente elevados, levando as autoridades a iniciar, durante a manhã deste domingo, descargas controladas em duas barragens cruciais para a região: Funcho, no concelho de Silves, e Beliche, em Castro Marim.

A Barragem do Funcho, que se tornou um símbolo da recuperação hídrica algarvia, alcançou um impressionante nível de armazenamento de 84%. Esta percentagem obrigou à execução imediata de uma descarga de segurança controlada, uma medida essencial para garantir a integridade estrutural da albufeira e gerir o volume excedentário de água.

Paralelamente, a Barragem do Beliche, integrante do sistema da bacia hidrográfica do Guadiana, também procedeu ao alívio de caudal. A ação em Castro Marim enquadra-se na gestão da sub-bacia do Guadiana em território nacional, sublinhando a melhoria generalizada da situação que afeta a região fronteiriça.

O Comando Regional de Emergência e Proteção Civil do Algarve reagiu à situação com notório otimismo, classificando o momento como “histórico para o Algarve”. A entidade vê neste excedente hídrico uma oportunidade estratégica, e não apenas um alívio temporário.

Estamos agora confiantes que esta ‘almofada’ que S. Pedro nos concedeu seja devidamente aproveitada para concretizar as obras estruturais necessárias, evitando a repetição de situações registadas no passado e contribuindo para que esta Região turística de excelência seja cada vez mais segura e resiliente”, afirmou o Comando Regional, numa clara referência à necessidade de investimento a longo prazo em infraestruturas de captação e distribuição.

As descargas controladas representam um passo fundamental na gestão de risco após a rápida subida dos níveis de água, mas são encaradas sobretudo como um sinal positivo.

Com as barragens a aliviar pressão e o Funcho perto da sua capacidade máxima, o Algarve ganha uma folga hídrica essencial para planear o seu futuro e reforçar a segurança de abastecimento, transformando a crise da seca numa oportunidade para reforçar a resiliência regional.