Portugal Precisa Acelerar Reabilitação de Redes de Água e Esgotos

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Reduzir Perdas e Aumentar Eficiência

O mais recente Relatório Anual dos Serviços de Águas e Resíduos em Portugal (RASARP 2025), divulgado pela Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR), revela avanços no acesso e adesão aos serviços de água e saneamento, mas aponta para desafios estruturais persistentes na gestão eficiente dos recursos hídricos e dos resíduos urbanos.

O relatório, que analisa os dados de 2024, destaca a fragmentação do setor, composto por 352 entidades gestoras, a maioria operando sob gestão direta pelas autarquias. Apesar da tendência de agregação de sistemas, visando ganhos de escala, uma parte significativa destas entidades serve um número reduzido de alojamentos, inferior a 10 mil.

A ERSAR sublinha a importância da qualidade dos dados e do conhecimento detalhado das infraestruturas para uma gestão eficaz. Vera Eiró, presidente do Conselho de Administração da ERSAR, enfatiza a necessidade de investimento contínuo no conhecimento das redes, permitindo detetar necessidades de reabilitação e reduzir perdas de água.

O RASARP 2025 indica progressos na acessibilidade aos serviços, com 97% da população a ter acesso ao abastecimento de água e 90% à gestão de águas residuais. A adesão ao serviço também registou melhorias, atingindo 90% tanto no abastecimento de água como no saneamento.

No entanto, o relatório revela que a reabilitação de condutas de água e coletores de esgoto está a um ritmo lento, comprometendo a resiliência e sustentabilidade futura dos sistemas. No setor em baixa, a maioria das entidades gestoras opera redes envelhecidas, aumentando o risco de perdas e avarias.

Na gestão de resíduos urbanos, a acessibilidade à recolha seletiva permanece baixa (61%), e a deposição em aterro continua elevada (55%), dificultando o cumprimento das metas comunitárias de reciclagem. A taxa de reciclagem, embora com ligeira melhoria, situa-se em 32%, aquém da meta de 55% fixada no PERSU 2030.

O relatório também aborda a questão da cobertura de gastos, com as entidades gestoras de menor dimensão e os serviços de resíduos urbanos a enfrentarem maiores dificuldades em recuperar os custos com a prestação dos serviços. A implementação de tarifários PAYT/SAYT, que incentivam a redução da produção de resíduos, ainda é limitada em Portugal continental.

A ERSAR alerta para a necessidade de reduzir as perdas de água, que atingiram 187,3 milhões de metros cúbicos em 2024, e de aumentar o aproveitamento de água para reutilização. A entidade estima que a eliminação de perdas e o aumento da reutilização da água residual tratada poderiam gerar uma poupança potencial de 158 milhões de euros por ano.

O relatório RASARP 2025 serve de alerta para a necessidade de um esforço concertado para melhorar a eficiência, a circularidade e a sustentabilidade económica dos serviços de águas e resíduos em Portugal, garantindo a qualidade dos serviços e a proteção do ambiente.

CASTRO MARIM

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